Raio-X
Dois anos ininterruptos para o veredito.
Dois anos de observação minuciosa, de cuidado, empatia e grande profissionalismo.
Dois anos de persistência e paciência.
Minha psicóloga foi incrível nesses dois anos de acompanhamento e terapia, quando veio o último diagnóstico. Eu chorei e falei que não queria falar sobre isso nas sessões. Tinha passado por um momento de grande baque e o fim de um relacionamento conturbado (a razão, inclusive, de eu ter procurado terapia), ela foi paciente e disse "como quiser". Demorei uns dois meses, oito sessões, para finalmente tomar coragem e me abrir.
Depois da Cid, um maldito número num papel, um simples número, como disse meu psiquiatra quando eu falei que a tentativa de reatar meu relacionamento tinha dado errado quando mostrei um laudo. Um número que mudou minha vida, e que muda a cada dia. Que me faz repetir incontáveis vezes durante o dia em minha cabeça: "você não é o seu diagnóstico". Um mantra, que eu não entendo às vezes.
O medo me acompanha, a cada nova tentativa de me relacionar. E a cada novo relacionamento os comportamentos tóxicos e envenenados. Incontroláveis. O medo me faz afastar as pessoas antes mesmo de eu deixá-las me conhecer, se aproximarem.
Os medicamentos controlam os sintomas: crises de raiva, suicid4s, psicóticas, alterações de humor, depressão e ansiedade, mas a medicação não controla o que está em minha cabeça e o que eu irei fazer com isso. Esse trabalho é meu e de mais ninguém... E é difícil.
Não sei se um dia irei encontrar alguém que me entenda e aceite o risco. Eu sei que existe a possibilidade de remissão dos sintomas, algo que ainda é muito cedo para eu esperar para mim, mas sigo nessa direção. Sete meses sem crises fortes. Só pequenas que me deixam agitada e fazem com que aqueles pensamentos desagradáveis apareçam.
No mais, sigo viva e tentando melhorar.
Obrigada à minha psicóloga incrível, meu psiquiatra bem humorado e de coração extremamente caridoso, à minha família e aos meus amigos e amigas que não desistiram de mim. Em especial meu primo, irmão e amigo Alexandre, que esteve presente nos piores momentos e sempre me lembra porque vale a pena estar viva!
O diagnóstico não é o fim, é apenas um novo começo.
🎗️


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